CONTRA O VELHO PENSAMENTO DA NOVA DIREITA

Contra o velho pensamento da Nova Direita

Um panfleto

A estupidez, a ignorância e as palas ideológicas neoliberais trouxeram-nos a esta encruzilhada: a eleição de Trump e os avanços da revolução de direita, um pouco por toda a Europa, representam o fracasso da chamada política identitária e denunciam o extremismo do centro. Bukharin, revolucionário russo, terá dito que a burguesia [classe média…] opta pela democracia, quando não tem medo, mas quando o tem, escolhe o fascismo. Encontrar-nos-emos no limiar de um séc. XXI autoritário?

A vitória de Trump representa uma cesura histórica: o fim e o fracasso de um longo ciclo liberal, que acelerou em 1989/90, com o início do fim do «socialismo real». «Democracia», «Eleições», «Liberdade» e «Ocidente» tornaram-se ideias questionáveis. Principalmente esta última desapareceu. A eleição de Trump é o fim do «Ocidente».

Assistimos a uma revolução de direita. Quem a apoia, procura respostas que não encontra na arrogância dos liberais bem instalados na vida e não confia na capacidade da esquerda, depois de Clinton nos EUA e da Terceira Via na Europa. É esta a tragédia da História. Estamos no limiar de uma época autoritária em que Trump, Putin, Erdogan, Netanjahu e, em breve (?) Le Pen se entenderão lindamente. Mas estes também não estão ao lado dos excluídos, estão só ao lado dos que lhes proporcionam o poder.

O agitador da Casa Branca é egocêntrico, durante a campanha eleitoral provocou desordem e vociferou contra o Establishment. Porém, é duvidoso que queira alterar o status quo. Na verdade, sempre pertenceu ao Establishment, mas convenceu muitos eleitores de centro que o combatia. Considera-se acima da Lei, comunica, na boa tradição dos demagogos romanos, directamente com o «povo» e formou um governo de homens e mulheres que acreditam que os interesses do Estado e do Capital são idênticos. Estamos perante uma ofensiva ideológica assumida por políticos que lucram com a nova ordem. Esta administração de multimilionários é o resultado lógico da campanha de direita de Trump. Tem lógica e é lógico que os neocons e os neolibs cá do burgo o apoiem, ainda que de forma envergonhada.

Steve Bannon, o seu principal conselheiro político, também conhecido como a «Leni Riefenstahl do Tea Party», acredita que a crise em que os EUA/Ocidente se encontram só poderá ser ultrapassada com uma guerra em grande escala contra o que designa de «fascismo islâmico». Os ataques à Síria e ao Afeganistão são o prelúdio desta sinistra distopia.

Zeca Afonso perguntou um dia: «Cairão de novo lágrimas numa cidade do Sul?» Guernica foi há 80 anos e a barbárie está aí de novo. Sabemos que na História não há lugar a reparações, mas também sabemos que não é predeterminável. É tempo de chamar as coisas pelos nomes. É tempo de intervirmos contra a brutalização do mundo.

As Toupeiras, 25.04.2017

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