NINGUÉM É ILEGAL! ABAIXO O CAPITAL!

As Toupeiras na Av. da Liberdade em 25.04.2016

As Toupeiras na Av. da Liberdade em 25.04.2016

A «crise dos refugiados tem nome. Chama-se CAPITALISMO!

Um panfleto

O capitalismo e a guerra são os dois lados da mesma moeda. Desde 1999 que assistimos à reabilitação moral da guerra como instrumento político legítimo: a guerra como a continuação da política por outros meios (Clausewitz). A guerra de agressão da NATO contra a Jugoslávia, conduzida em nome de razões humanitárias, foi amplamente apoiada por políticos e intelectuais identificados com a esquerda e conduzida por governos de centro-esquerda, da chamada 3ª via. Esse apoio levou as pessoas a acreditar que os EUA e seus aliados já não faziam a guerra por interesses económicos e mostra bem a desorientação de boa parte da esquerda. Porém, ela fez parte do mesmo processo de «globalização»: a enorme transferência de poder para a esfera privada e transnacional, esse mundo das grandes empresas, das instituições financeiras e multimilionários cada vez mais ricos. Reduziu-se a função do governo à criação de condições favoráveis ao investimento privado. Governar, hoje, é desregular, privatizar os serviços públicos e reduzir as despesas de carácter social. Só interessa o que dá lucro ao capital privado. A política do Estado é avaliada, aprovada ou condenada pelos «mercados». Com a guerra de agressão à Jugoslávia, o direito internacional foi violado em nome de um pretenso imperativo moral superior. Criou-se, assim, um precedente de que hoje vemos as consequências, também na Europa. A   guerra faz-se para alcançar, manter e ampliar o poder. E na maior parte dos casos por razões económicas, sendo as razões ideológicas e religiosas sempre secundárias. Trata-se da exploração das cobiçadas matérias-primas pelos países ricos e da indústria que ganha com elas. Com a guerra ganha-se dinheiro. Com a guerra consolida-se poder. O capitalismo produz guerra, terror, fome e tortura. Bem-vindo ao CAPITALISMO!

A esquerda não pode fechar os olhos a essa verdade amarga e tem de retirar daí as consequências necessárias: se a NATO está disposta a iniciar guerras ilegais à luz do direito internacional, os europeus têm de perceber que aí está a origem de serem vítimas de atentados terroristas. No séc. XXI, a guerra não se faz só de acordo com as regras militares de forças armadas tradicionais – quer queiramos, quer não, os atentados suicidas fazem parte da guerra e demonstram a perversão desta «nova ordem mundial», quando, depois de séculos de colonialismo e décadas de guerra, sem mísseis de cruzeiro, nem drones, são vistos como a única forma de resistência. E se o terrorismo é o uso ilegal da violência para atingir objetivos políticos, Busch é dos maiores terroristas mundiais.

Em 2014, trouxemos à rua a Esquerda, na sua diversidade e contradições, mas com o sonho coletivo comum de que uma outra sociedade é possível. Em 2015, quisemos recordar que, desde sempre, «o mundo é composto de mudança/tomando sempre novas qualidades» e que, com coragem, podíamos contribuir para essa mudança. Em 2016, afirmar que não podemos deixar que o capitalismo seja «o fim da história», que queremos superar esta ordem económica. Nós, esquerda, queremos uma outra forma de vida, levantar bem alto a ideia de fraternidade da Revolução Francesa. E ter sempre bem presente que «a nova era» não é mais do que a nossa bem conhecida velha história.

Socialismo ou Barbárie (Rosa Luxemburgo).

As Toupeiras, 25.04.2016

«O Terrorismo é a guerra dos pobres e a Guerra é o terrorismo dos ricos»

Peter Ustinov (1921-2004)

«O passado desapareceu, do futuro nem alicerces existem. E aqui estamos nós, sem tecto, entre ruínas à espera…»

Raul Brandão, Memórias, I, 1915

«O capitalismo traz a guerra, como a nuvem traz a tempestade.»

Jean Jaurès (1859-1914)

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