As Toupeiras: A Revolução Morreu! Viva a Revolução!

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A REVOLUÇÃO MORREU! VIVA A REVOLUÇÃO!

Encontramo-nos no final de uma legislatura que nos quis desencorajar. Queremos, por isso, lembrar que a coragem existe no mundo real. Muitos reflectem sobre ela ou praticam-na quando se opõe aos poderosos, embarcam em naves várias para fugir à guerra e à miséria, se solidarizam com os mais fracos ou se tornam «whistleblowers». Todos eles, num determinado momento, questionaram e modificaram a atitude que lhes foi incutida.

Um processo destes talvez se inicie com uma inquietação, uma experiência inusitada ou uma Crise.

Em 2014, trouxemos à rua a Esquerda, na sua diversidade e contradições, mas com o sonho colectivo comum de que uma outra sociedade é possível. É ela que nos ajuda a não perder a capacidade de «imaginar o todo como algo que podia ser completamente diferente» (Adorno).

Em 2015, queremos recordar que, desde sempre, «o mundo é composto de mudança/tomando sempre novas qualidades» e que, com coragem, podemos contribuir para essa mudança.

O desejo de uma vida melhor não desapareceu. Ele é resultado das próprias circunstâncias. A pretensão de influenciar o devir do mundo – não amanhã, mas hoje mesmo – renasce a cada momento das contradições sociais. E revela-se gradual ou subitamente, de forma inesperada e inusitada. Este impulso de resistência nem sempre segue teorias fantásticas. É motivado, na maior parte dos casos pela simples necessidade terrena de não querer ser «governado de tal forma» (Foucault). Por vezes assume formas estáveis e complexas, outras basta-lhe um programa com um só ponto. É certo que, com isto, não se abole o capitalismo, mas como e com que resultados, veremos mais tarde. Procura, dúvida, inconsequência fazem parte destes processos de aprendizagem colectivos que conduzem a novas formas de democracia. E também um alfobre cheio de questões.

As revoluções são responsáveis por processos políticos de aprendizagem que envolvem centenas de milhares de pessoas e lhes oferece a possibilidade de participação política. As possibilidades dessa participação, abertas com as revoluções democráticas (a francesa e a americana), continuam por realizar completamente, quer nesses dois casos, quer em qualquer outro lado.

Mas o que torna as revoluções, revolucionárias?

Na história da humanidade são inúmeras as mudanças de governo e de regime. Quem já as viveu conhece o paradoxo do quotidiano, as semanas da utopia concreta, quando pessoas, que nunca antes se tinham visto, se encontram de forma espôntanea e dão forma ao futuro.

Vai ser ainda necessário muita obstinação, muita curiosidade, criatividade, extravagância, individualidade e prazer da descoberta. A esquerda não pode existir sem dissidência, dúvida, teimosia e contradição. Só assim poderá afirmar: «Bem escavado, velha Toupeira».(Marx)

 As Toupeiras, 25.04.2015

 

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