As Toupeiras no 25 de Abril de 2014: De que se trata?

De que se trata?
Um panfleto
Está na moda acusar a esquerda de estar ultrapassada e virada para o passado. Porém, a esquerda não pode ser ultrapassada, já que ser livre e procurar ser feliz é o sentido da nossa existência. O sentido da vida é que todas as pessoas tenham a mesma liberdade para desenvolver as suas capacidades sociais, intelectuais, artísticas, técnicas. Ao contrário do que a direita nos quer convencer, a condição prévia da liberdade é a igualdade das possibilidades materiais de cada um, para que cada um se possa desenvolver livremente.O êxito da «contra-revolução neoliberal» (M. Friedman) está à vista de todos: uma sociedade cada vez mais desigual em que a diferença entre ricos e pobres não pára de aumentar, em que a ambição, a avareza, o egoísmo, a irresponsabilidade e o embrutecimento se tornaram nas qualidades principais da classe dominante. Numa democracia, o eleitor deveria ser o correctivo supremo deste desenvolvimento errado da sociedade portuguesa e europeia. Mas como podem os cidadãos compreender a situação actual se dia sim, dia sim são confrontados com o papaguear do «pensamento único» dos «teólogos de mercado»?
Perante esta realidade sombria, não será melhor desistir, optar pelo exílio interior? Talvez sim e certamente muitos já o fizeram e não podem por isso ser criticados. Na verdade, sem uma dose considerável de idealismo e capacidade de sofrimento não é possível assumir o misto de Sísifo e D. Quixote a que a esquerda parece estar condenada.
Nestes tempos neoliberais, parece que os sonhos colectivos de uma outra sociedade não têm lugar. Será que perdemos a capacidade de «imaginar o todo como algo que podia ser completamente diferente» (Adorno)? Depois de 1989, restou só a pequena utopia individual ou o «princípio da esperança» (Bloch), o sonho por um mundo melhor é um impulso constante da ação humana?
O problema da esquerda foi (e é) que a derrota devastadora de 1989 não estava prevista. Por isso, para muitos, o fracasso representou o fim. Contudo o fracasso não foi o fim da história, mas sim o fim da ilusão messiânica.
Neste 25 de abril queremos trazer à rua a esquerda na sua diversidade e afirmar que nada temos de nos envergonhar. A democracia nunca foi só a história da sua instrumentalização pelos poderosos. Foi também sempre e, principalmente, a história das revoltas dos «de baixo», uma história das necessidades, exigências e movimentos democráticos contra os poderosos e os governantes.
A história mostra o dilema da esquerda em tempo em que o vento sopra da direita. A história não está predeterminada. Regressar às suas origens – a igualdade – contribuir para se levar de novo a sério, ultrapassar o isolamento individual e compreender o mundo como mutável são tarefas inadiáveis.
Em todas as ações de resistência trata-se da cultura da democracia. Uma sociedade que produz pobreza, sem-abrigo, desemprego vive num estado de barbárie social, por muito telemóveis e plasmas que possua.
Não ofendamos a história com falta de fantasia e tenhamos «o descaramento de querer transformar o ser humano em ser humano e arrancar-lhe o espartilho de súbdito e do estrato social » (Marx).
À distopia neoliberal teremos de opor a utopia socialista. Assim poderá a esquerda ter um destino diferente do de Cassandra. Abandonemos as trincheiras e combatamos «estes patéticos e arrogantes merceeiros de ideias» (Marx).

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