Que fazer? 25A, 14.30, Fontes Pereira de Melo+Sidónio Pais

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Que fazer? quando não queremos viver num país em que milhares (sobre)vivem na rua, milhões (sobre)vivem no gueto do desemprego e de salários miseráveis, em que milhares procuram a «sopa dos pobres» para algumas centenas degustarem em restaurantes-gourmet? Que fazer? quando não suportamos uma sociedade cada vez mais desigual, em que os de cima e os seus acólitos arrogantemente nos dizem que vivemos acima das nossas possibilidades e que temos de empobrecer? Que fazer? quando querem educar-nos para servir os poderosos? Se queremos ser oposição a esta normalidade terrorista do capitalismo real temos de procurar aliados. Mas quem é este «nós»? Pessoas que não perderam a capacidade crítica e gente de todas as esquerdas, que tem como princípio a liberdade na base da igualdade social, gente para quem este princípio não é só um sonho, mas que quer agir e procurar aliados.
Uma política emancipatória de esquerda é ainda mais difícil em tempos de crise económica mundial. A crise tem aumentado o racismo, a estigmatização social dos sem-abrigo, dos dependentes da assistência social e dos desempregados. A sua dignidade foi há muito espezinhada. Súbditos acomodados calcam, quando pressionados, os de baixo culpando-os do seu «fracasso» enquanto procuram alcançar, à cotovelada, o seu «lugar ao sol». Tornam-se racistas, gritam pela Lei e pela Ordem, porque a sua ordem é a dominante e o Estado deve defender a sua propriedade e os seus privilégios para o que é necessário lançar os outros para a pobreza. Contudo, em tempos crise também se questionam as certezas de ontem, o que obriga muitos a reflectir sobre este sistema económico, durante décadas chamado «economia social de mercado» e que suspeitou de todos os que lhe chamavam capitalismo. Há aqui uma oportunidade e seríamos muito estupidamente arrogantes, se pensássemos estar isolados. Isso seria levar a água ao moinho dos media que diariamente nos querem convencer que somos marginais. Somos uma minoria, mas todos os movimentos sociais, mesmo aqueles que historicamente tiveram sucesso, como o movimento operário, foram sempre minorias, ainda que organizadas.
O que se aprende em tempos de crise é ambivalente. Centenas de milhares de pessoas empobrecem. Os «programas de resgate» do capital e da banca desviaram os recursos públicos, o que por sua vez piorou a situação dos socialmente desprotegidos. Mas, e agora que as perspectivas de futuro da «classe média» se desfizeram, os seus filhos, apesar de educação superior, não encontram trabalho e as hipotecas não se conseguem pagar? A democracia liberal é confrontada com o protesto do «cidadão normal», que se pode tornar perigoso se se aliar ao protesto emancipador de outros. O Estado perde autoridade e encontra-se numa profunda crise de legitimidade. Mas esta crise de legitimidade pode também significar um novo avanço da direita. É a dialética da crise.
Que fazer? Teoria, Acção, Organização
Teoria é ler, reflectir, analisar. Teoria não é um manual de instruções para a acção, mas condição para conhecer o que se passa à nossa volta e ponto de partida para a prática política. A análise das condições sociais ajuda-nos a encontrar as decisões estratégicas, a escolher entre os diferentes conflitos sociais. Não nos podemos esquecer que somos uma minoria, que quer obter o maior efeito possível.
Na acção não se trata de evitar o fracasso. Se assim fosse, valia mais nem sequer tentar. Uma acção política inteligente é bem preparada. A acção procura atingir diferentes objetivos, um dos quais levar as pessoas a questionar o que a rodeia e a questionar-se.
Teoria e acção precisam de organização. E assim vamos levar a esperança e a rebeldia a descer a avenida no dia 25. Às 14.30 na Fontes Pereira de Melo+Sidónio Pais.

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