A Agonia da Europa

Max Beckmann, «A Noite», óleo s/tela, 133cmx153cm, Kunstsammlung NRW, Duesseldorf

«É considerado deselegante dizer que – no primeiro pós-guerra – as «democracias liberais», com o intuito de bloquear o caminho às esquerdas, cederam progressivamente a passagem aos fascismos. Mas eventualmente, a coisa pode ser dita de um modo mais elegante e certamente mais específico. As classes que apoiavam os partidos que até então tinham governado (liberais, radicais, etc.) tiraram-lhes gradualmente o crédito, perderam confiança na «democracia parlamentar» e optaram pelo fascismo. (…) O apoio de sectores do grande capital aos movimentos fascistas foi, obviamente, vital, e os institutos de «ordem pública», guiados por aquelas forças decisivas que são os escalões mais altos das burocracias dos aparelhos estatais – e que agem na sombra – deram a necessária cobertura logística e «militar». (…) [aquilo que lhes] pareceu predominante no plano das responsabilidades históricas e, portanto, do diagnóstico em torno do processo histórico na sua globalidade de que haviam sido testemunhas, foi o facto incontornável da escolha feita pelas classes burguesas em favor do fascismo.

Escolha essa que teve como aspecto complementar a aceitação do fascismo como «normalidade» e o apreço que lhe demonstraram as «grandes» nações que ainda tinham um regime parlamentar: a França (…) e a Inglaterra.»

Luciano Canfora (2007), A Democracia, História de uma Ideologia, Ed. 70, Lisboa, pp.209-210

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