Eleiçoes no Sarre

O Sarre é um pequeno estado no sudoeste da Alemanha com 2568,70 Km2 e 1,014 milhões de habitantes, dos quais poucos mais de 800.000 são eleitores. Realizaram-se hoje aí as primeiras eleições regionais de 2012 (Sarre, Renânia do Norte-Vestefália e Schleswig-Holstein), que nunca deveriam ter acontecido porque os respetivos parlamentos foram eleitos em 2009. As eleições que se realizam em 2012 resultam, assim, de quedas de governo de coligação, situação até há uns anos impensável na Alemanha.

Os resultados de hoje são muito curiosos porque se por um lado eram esperados, por outro são surpreendentes. Esperada era a tendência, surpresa é a clareza dessa tendência, com uma única exceção. A CDU manteve a sua posição, perdendo somente 0,1% e é o partido mais votado. A chefe de Governo será de novo Annegret Kramp-Karrenbauer porque o SPD, antes das eleições, já tinha declarado que optaria por uma «grande coligação». O SPD ganhou 5,6%, o DIE LINKE perdeu 4,9%, possivelmente para o SPD. Os seus pouco mais de 16% devem-se, provavelmente, a um certo «efeito Lafontaine». O FDP desapareceu do mapa eleitoral. Perdeu mais de 7,5% e não entrou no Parlamento. Os Verdes conseguiram ultrapassar os 5% e assim eleger dois deputados por 185 votos. Os Piratas conseguiram sem problemas a entrada no Parlamento (7,4%) e a eleição de 4 deputados. Estes são os números, mas qual é o seu significado?

O aspeto mais interessante e surpreendente destes resultados é a entrada triunfal dos Piratas. Estes resultados parecem demonstrar que na Alemanha existe um forte potencial de eleitores liberais, que de forma nenhuma se revêem no FDP e que este potencial também pode ser aproveitado por um partido liberal de esquerda: a novo estilo político dos Piratas, com a sua democracia basista e transparência nos processos de decisão política encontram significativa ressonância junto do eleitorado.

Isto ainda não faz dos Piratas uma opção de coligação – o próprio partido é ainda uma caixinha de surpresas como o seu congresso este fim de semana na Renânia do Norte-Vestefália demonstrou. Mas é possível que uma implantação estável deste partido e uma marginalização do FDP venha a abrir alternativas depois de 2016/15. Ao desejo de estabilidade da maioria do eleitorado (do SPD e CDU) soma-se o desejo de mudança de uma minoria (os eleitores dos Piratas). Quanto ao DIE  LINKE e FDP têm o futuro, para já, em aberto. Podem estabilizar ao nível mínimo de entrada no Parlamento (5%), provavelmente o que acontecerá ao DIE LINKE, ou desaparecer (o que parece estar a acontecer ao FDP, mas como na sua história já passou várias vezes por situações semelhantes é ainda demasiado cedo para lhe ler o elogio fúnebre). De uma maneira ou de outra, a situação político-partidária alemã mantém-se interessante. Tanto mais que os Verdes parecem orientar-se consistentemente na direção da CDU. Resta referir que a participação eleitoral desceu de 67,6% (2009) para 61,6%.

 

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