O caso DSK: Cui bono?

Rubin, Lafontaine, Strauss-Kahn

Nos finais dos anos 90 Oskar Lafontaine era Ministro das Finanças na Alemanha e Dominique Strauss-Kahn Ministro da Economia e das Finanças em França. Ambos queriam uma harmonização dos impostos na Europa, uma política económica de crescimento e criação de postos de trabalho e… a regulação dos mercados financeiros. Sabemos o que aconteceu. Em 1998 Lafontaine foi considerado pelo Sun «o homem mais perigoso da Europa» e foi obrigado a demitir-se do Governo alemão por profundas divergências com o então chanceler Schroeder, DSK um ano depois viu-se envolvido num escândalo de corrupção, de que veio a ser, mais tarde, completamente ilibado em tribunal, e teve de se demitir do Governo francês. Onde não estaria hoje a Europa se Lafontaine e DSK tivessem conseguido implementar a sua política?

Em Setembro de 1999 a Spiegel noticiava um encontro privado entre Lafontaine e DSK ainda este era ministro. Sobre esse encontro afirmaram os participantes: «Não devemos varrer para debaixo da mesa a nossa herança socialista, que sublinha a solidariedade e a coesão social. Mais mercado exige mais regulamentação.» De acordo com a ParisMatch tratava-se «de um discurso contra a ‘outra’ esquerda europeia representada pelos irmãos inimigos de Strauss-Kahn, Blair e Schroeder.»

Uma dúzia de anos depois, os resultados para a social-democracia europeia da sua rendição ao neoliberalismo estão à vista. Mas DSK parece continuar a ser um «homem perigoso» para as elites neoliberais. Não é preciso ser defensor de teorias da conspiração para «explicar» o caso DSK. Os factos falam por si. A acusação ainda se mantém, mas o caso está com toda a probabilidade terminado. E o balanço político aí está: teve de se demitir de director do FMI e as suas aspirações a candidato à Presidência estão enterradas. Desapareceu assim o mais sério candidato do PSF e tudo indica que depois de cinco anos de Sarkozy se seguirão mais cinco anos de Sarkozy.

Para quê teorias da conspiração, especulações se os factos aí estão? Parece que a tão elogiada justiça americana não se encontra em condições de esclarecer o que aconteceu realmente no dia 14 de Maio. Porém, juízes, procuradores e polícia fizeram o que podiam para que as consequências políticas fossem inevitáveis. Talvez não tenham agido intencionalmente, mas os resultados da sua actuação aí estão ao tratarem DSK como já fosse um condenado, desde que o foram buscar ao avião até à sua prisão em Rikers Island. DSK queria ir ter com a chanceler alemã e aterrou no inferno.

Que queriam os juízes ao apresentá-lo algemado, com a barba por fazer e escoltado por camâras de TV? A sua confissão? O reconhecimento que era um violador? Um depravado que não se tinha sob controlo quando via um bom par de pernas? Talvez lhes fosse suficiente demonstrar o seu poder, decorrente do poder dos EUA. DSK estava, segundo afirmaram, completamente isolado. Mas assim que enviou da sua cela em Rikers Island uma carta ao FMI a pedir a sua demissão, surgiu logo a possibilidade de ser libertado sob caução. Depois da sua demissão do FMI, foi libertado sob caução e vigiado num apartamento de luxo. Não era a sua reabilitação, mas pelo menos encontrava-se hospedado nas condições que lhe eram familiares, na companhia da mulher.

Ainda não tinham passado 72h depois da nomeação de Mme Lagarde para nova directora do FMI e já a Procuradoria nova-iorquina descobria que a «vítima» tinha graves problemas de credibilidade e retirou as devidas consequências.

DSK foi retirado de circulação a 14 de Maio, depois da suposta violação. Com ele foi também retirado de circulação o projecto que teria representado uma mudança profunda no FMI e na alta finança internacional. 26 de Maio de 2011 era o dia escolhido para estabelecer uma nova divisa de reserva internacional e continuar a enfraquecer o dólar. Para os EUA, com uma dívida de 14,3 biliões de dólares, o worts case. Não são precisas teorias da conspiração para nada, basta relembrar os factos.

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