O «exército de reserva» de desempregados do neoliberalismo

Desempregados, Kathe Kollwitz

 Sir Alan Budd, ex-presidente do Banco de Inglaterra, numa interessante entrevista que pode ser lida aqui, conta que a criação de um «exército de reserva» de desempregados foi a opção consciente de Margareth Tatcher para enfraquecer a classe trabalhadora e permitir elevados lucros. Durante os governos de M. Tatcher o número de desempregados atingiu os 3.000.000, cerca de 12,3% em 1983. Os monetaristas e neoliberais não querem assumir que provocaram propositadamente o aumento do desemprego com as suas opções de política financeira. Se é  certo que a estratégia de enfraquecimento dos sindicatos e dos trabalhadores teve/tem um enorme apoio da ciência económica dominante nas universidades, que contribuiu decisivamente para a propagação da ideologia neoliberal e os sindicatos e trabalhadores têm uma dificuldade muito maior em chegar aos meios de comunicação, também não deixa de ser um fracasso a sua incapacidade para reconhecer a estratégia dos seus adversários ou pelo menos desmontá-la de forma clara como o faz o banqueiro inglês:

«Curtis: For some economists who were involved in this story, there is a further question: were their theories used to disguise political policies that would have otherwise been very difficult to implement in Britain?

Budd: The nightmare I sometimes have, about this whole experience, runs as follows. I was involved in making a number of proposals which were partly at least adopted by the government and put in play by the government. Now, my worry is . . . that there may have been people making the actual policy decisions . . . who never believed for a moment that this was the correct way to bring down inflation.

They did, however, see that it would be a very, very good way to raise unemployment, and raising unemployment was an extremely desirable way of reducing the strength of the working classes — if you like, that what was engineered there in Marxist terms was a crisis of capitalism which re-created a reserve army of labour and has allowed the capitalists to make high profits ever since.

Now again, I would not say I believe that story, but when I really worry about all this, I worry whether that indeed was really what was going on.» (The New Statesman, 13. Januar 2003)

O apoio da social-democracia/socialismo democrático a esta política, que assumiu e aprofundou, é o exemplo mais trágico da capitulação de parte da esquerda.



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