O Ministro da Defesa zu Guttenberg e os interesses económicos alemães

Guttenberg nas celebrações do 20º aniversário da unificação do Bundeswehr

Por estes dias a política alemã é abalada pelo escândalo do plágio da tese de doutoramento do seu Ministro da Defesa zu Guttenberg. A estrela mais recente da política e dos grandes meios de comunicação alemães vê-se confrontado com a acusação de ter copiado centenas de páginas, nomeadamente de trabalhos elaborados pelos serviços científicos do Bundestag. Toda a oposição exigiu a demissão do que considerou ser o «Félix Krull» da CDU/CSU.

O chinfrim nos midia alemães tem sido de tal ordem que o leitor deixa de ver a floresta à força de tanto olhar para as árvores. Merkel apoia Guttenberg porque ele se encontra num processo de reforma das forças armadas alemãs (fim do serviço militar obrigatório). O objectivo é transformar o Bundeswehr num exército de intervenção. Guttenberg é o rosto, jovem e dinâmico, de a guerra ser uma possibilidade aceitável de impor os interesses económicos alemães. O ex-Presidente Koehler foi obrigado a demitir-se porque falou abertamente neste objectivo. Guttenberg (como Merkel) evita o uso da palavra guerra para descrever o que se passa no Afeganistão, mas vai transformando as forças armadas num exército de militares profissionais (há quem lhes chame mercenários). Esta transformação iniciou-se com o Governo SPD/VERDES, quando o Bundeswehr interveio na Guerra do Kosovo, ou seja ‘out of area’ (fora da área da NATO) e só em acções de defesa. Afeganistão foi o passo seguinte. Como Peter Struck (Ministro da Defesa/SPD) afirmou em 2002, “ a segurança da Alemanha também se defende Hindukusch”.

Guttenberg deve muito da sua ascensão e da sua manutenção na pasta da Defesa às suas ligações internacionais e ideológicas neoliberais. Não será o roubo da propriedade intelectual que o levará a abandonar a pasta da Defesa, o que revela também o nível de degradação ética a que chegou o sistema democrático. Guttenberg sairá depois de terminar o seu trabalho no Bundeswehr e este estar apto a impor os interesses económicos alemães se necessário. Aguardemos a resposta às revoltas árabes da NATO e da EU.

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