A Radicalização do Centro e o 9 de Novembro de 1938

Judeus presos durante o Pogrom alinhados para a chamada no campo de concentração de Buchenwald. Novembro 1938. Lorenz C. Schmuhl Papers, USHMM Archives

Um estudo financiado pela Fundação Friedrich Ebert com o título “O centro em crise. Opiniões extremistas de direita na Alemanha em 2010” do sociólogo Oliver Deck chega à conclusão que um em cada quatro alemães é xenófobo e deseja um “partido forte”. Saliente-se que estas posições anti-democráticas não são um fenómeno das “franjas” da sociedade, mas sim do seu centro. Temos, contudo assistido, por exemplo em Estugarda, à contestação popular contra a construção do mega-projecto da nova estação ferroviária e, nos últimos quatro dias, em Wendland, à contestação ao transporte de resíduos nucleares para Gorleben. As pessoas descem às ruas para defender as suas convicções. Qualquer democrata acompanha com satisfação esta defesa: a antes maioria silenciosa transformou-se numa maioria politicamente activa, sensível a um aprofundamento da democracia. Sinais contraditórios?

Encontram-se posições extremistas de direita em todos os grupos sociais, especialmente na classe média, o chamado centro social. O estudo explica este fenómeno principalmente com a precária situação económica. A classe média só se mantém o “pilar” da democracia enquanto a despromoção social, principalmente através do desemprego, se mantém um fenómeno de destino individual. Se essa despromoção se transforma num fenómeno geral,” a classe média mostra-se o terreno abençoado das confusões ideológicas” como escreveu o sociólogo Theodor Geiger na véspera da tomada do poder pelos nazis. Na verdade a classe média tem diminuído na Alemanha e na Europa Ocidental. O estudo relaciona directamente o medo de despromoção social e as posições anti-democráticas e interpreta o manifesto aumento de posições políticas de extrema-direita como uma consequência retardada da crise financeira de 2008.

A 9 de Novembro de 1938, hordas de SA incendiaram as sinagogas e partiram as montras das lojas de judeus. Centenas de cidadãos judeus alemães foram, nessa noite, assassinados. Em 1959 o sociólogo americano Seymour Martin Lipset defendeu a tese de que não foi o extremismo da esquerda e da direita do sistema partidário que conduziu à ditadura nazi, mas sim a crise mundial de 1929. E em 2010?

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Uma resposta a A Radicalização do Centro e o 9 de Novembro de 1938

  1. […] extremo, mas o atentado terrorista na Noruega, em nome do combate ao «marxismo e ao islamismo», é a ponta do iceberg do que se passa na Europa: o racismo quotidiano e o ódio aos que pensam à esquerda. De acordo com os serviços de […]

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