Dedicado ao Daniel Oliveira e a todos os anti-vuvuzelas

A cacophany of sound greeted England fans flying into Johannesburg Photograph: Hussein Malla/AP

“Tirem finalmente a gaita ao preto!

escrito em 14 de Junho de 2010 por Spiegelfechter

Jens Berger

Não apostámos assim! O primeiro mundo mostra, por uma vez, o seu lado generoso e atribui os direitos de transmissão do Mundial de Futebol à pobre África do Sul e que fazem os indígenas? Sopram! E tão alto que o desportista da TV alemã nem sequer consegue ouvir os cantos delicados dos fãs europeus nos estádios. Isto é não só impertinente, mas também ingrato! Quem paga afinal o circo? Nós! Pelo menos mostrem um pouco de gratidão!

Vuvuzela – assim chama o indígena a sua gaita de plástico, na qual sopra continuamente. Aqui, tal seria impensável! Em qualquer canto da província, as crianças barulhentas são de imediato chamadas à razão, se não o amante civilizado do jogo na relva tratada não consegue perceber os comentários profundamente intelectuais dos seus congeniais. “Ah! Sua besta! Estava fora de jogo!” – impensável se esta análise profunda e fulminante não atingisse os ouvidos do destinatário por causa de um insensato “vuuuuuuuuuuuuu.”

Escárnio da cultura europeia

Principalmente nas grandes cidades, o povo dos Poetas e Pensadores gosta de celebrar a sua herança cultural na forma de canções melodiosas em terno sotto voce. “Tira os calções de couro aos bávaros!”, “Hipp, Hipp, Hurra, Borussia!” ou “Adoramos grandes mamas e beber … vamos ao bordel três vezes ao dia!” pertencem definitivamente à alta cultura alemã. Mas como podem estas mensagens de original criatividade germânica ser compreendidas internacionalmente, se são abafadas pela barulheira da Vuvuzela? Mas não são só os amigos do canto alemão os únicos atingidos por esta falta de educação africana. Principalmente os meninos de coro ingleses lamentam serem abafados desta forma, informou Steffen Simon, comentador da ARD, o público televisivo alemão. Sim, isto é verdadeiramente trágico. Que existe de mais belo do que um bem afinado “Rule Britannia!” da garganta de milhares de fãs ingleses amantes da cerveja? O sul-africano devia interromper o seu concerto de gaitas por um minuto em memória dos bons velhos tempos coloniais e mostrar respeito pelo talento canoro dos britânicos.

Afinal a FIFA é a responsável por este Malheur. Por que não colocou a Vuvuzela na lista dos objectos proibidos? Em vez disso devia ter-se ensino o africano a tocar flauta de bisel. Para que pagamos afinal a cooperação? E todo o resto – pensa-se que o africano, enquanto tal, é pobre. Como pode então pagar o bilhete de entrada? De certeza que não é de forma honesta! Por que, enfim, se distribuíram bilhetes aos nativos? É louvável atribuir, uma vez, o Mundial aos africanos, mas também tem de se os deixar entrar nos estádios?

Workshops da DFB em Brandenburgo teriam ajudado?

A DFB devia ter avançado com um bom exemplo e podia ter trazido à Alemanha os melhores amantes de futebol africanos para uma acção de formação cultural. Na pampa de Brandenburgo, o preto podia, então, aprender como nós, alemães, vemos futebol. Antes de mais, na verdade, tinha de aprender a beber cerveja – com menos de 1,5 por mil é impossível de aguentar os jogos da liga regional leste e sóbrio o nosso aluno africano daria de imediato nas vistas no bloco de fãs do BFC Dínamo, independentemente da cor da pele. Como o alemão, enquanto tal gosta, de ser corporalmente activo nas imediações dos jogos de futebol (Mens sana in corpore sano), o africano tinha de aprender primeiro como se lustra a tromba dos fãs da equipa adversária, se destrói o centro das cidades e se parte a cabeça aos polícias. Afinal tudo isto pertence à cultura futebolística alemã, como um monte de vomitado à Festa da Cerveja em Munique.

BILD, a última esperança

Como este género de acção de formação foi proibido, tem agora de se pôr um ponto final a esta actividade com uma proibição. Danny Jordaan, chefe africano do OK, já mostrou compreensão pelo excepcional sofrimento do espectador europeu e já não exclui a proibição da vuvuzela. E se os sul-africanos não quiserem saber, arranjam chatices com os comentadores da cultura e dos baixos tons. O jornal BILD exige, em nome dos seus leitores, a “Proibição do VUUUUUUUUU” e entregará as assinaturas recolhidas ao Presidente da FIFA, Sepp Blatter! Obrigado BILD! Finalmente um que diz alto o que toda a Alemanha pensa: “Tirem finalmente a gaita ao preto – é o nosso Mundial!””

tradução pg68

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