Ainda o 50º aniversário da Fuga de Peniche

Gravura de Margarida Tengarrinha segundo desenho de Álvaro Cunhal

Ninguém honesto intelectualmente pode querer fazer a história da resistência à ditadura fascista sem o PCP. E também não pode querer relativizar nem o regime, nem a luta dos militantes do PCP. No âmbito do aniversário que ontem se comemorou muitos preocuparam-se em recordar os erros do PCP como, por exemplo, a omissão do nome de Francisco Martins Rodrigues em alguns documentos posteriores, erro que foi e continua a ser hoje muito criticado por dirigentes históricos, ou a tentativa, argumentam, do PCP em querer monopolizar os créditos da oposição.  Pôr a tónica nestas questões é querer passar ao lado da questão principal: a fuga de Peniche deve ser das evasões mais espectaculares da história da resistência mundial e provocou um forte abalo no regime.  Contudo a indigência dos meios de comunicação social, com especial relevo para esse “jornal de referência” que dá pelo nome de Público (o acontecimento mereceu, no dia 2, a transcrição de um take da LUSA… e a revista Pública de domingo dedicou-se aos néons dos casinos de Las Vegas e à mini-saia contra a crise…) passa ao lado deste aniversário com o atrevimento da ignorância. 50 anos passados, três protagonistas ainda vivos e assistimos à quase indiferença ou opção pelo fait-divers.

A fuga de Peniche abanou os alicerces do regime salazarista e já não seria nada mau se a(s) esquerda(s) concordasse(m)  em que chamar “Estado Novo” à ditadura é aceitar, sem qualquer réstia de espírito crítico, a designação que o próprio Salazar atribuiu ao seu regime. É, na realidade, contribuir para a banalização de uma ditadura que perseguiu, prendeu, torturou e matou sempre que necessário. É tão errado historicamente como designar os 12 anos do nazismo como o “III Reino” (III Reich). A entrevista de Eugénia Cunhal ao DN recorda aos mais distraídos o que significava, viver, no “Estado Novo”, para todos os que se lhe opunham.

joaquim gomes/jaime serra/03.01.10

carlos costa/eugénia cunhal/03.01.10

eugénia cunhal/03.01.10

c.costa/03.01.10

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dias lourenço/03.01.10

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3 Responses to Ainda o 50º aniversário da Fuga de Peniche

  1. André diz:

    Pena é que não tenhas uma fotografia a apanhar a sala toda! é que tiveram de ficar pessoas cá fora por não haver mais espaço!

    Mas as fotos e o texto estão excelentes!

  2. rosa maria gomes diz:

    muito bem. ainda há alguém que mexe para que não haja esquecimento.
    o desenho está muito bem.
    parabéns.

  3. […] ACTUALIZAÇÃO: Indispensável na Rua do Patrocínio […]

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