Alterações Climáticas ou nova partilha do poder mundial?

Na Cimeira de Copenhaga não se trata das mudanças climáticas mas sim da nova partilha hegemónica do mundo. Daí todas as dificuldades que têm surgido ao longo destas duas semanas. A Rússia contra a Índia, Índia contra a China, os EUA contra a China, a Índia e a Rússia, afinal o velho conflito Norte-Sul. E a Europa pelo meio. Geopolítica pura e dura.

Os participantes da Cimeira em Copenhaga conhecem bem a situação e a necessidade de controlar as emissões de dióxido de carbono de forma que o aumento de temperatura não ultrapasse os dois graus, porém as notícias que nos chegam dão-nos conta do beco sem saída em que se encontra a conferência e das dificuldades em cumprir com o decidido há dois anos com o chamado “Bali road map”: negociar um protocolo pós Quioto até Dezembro de 2009. Aquilo que parece incompreensível – a impossibilidade de acordo sobre a defesa do meio ambiente – torna-se cristalino quando se olha para além das aparências: a defesa do clima é só o cenário em que se negoceia a nova divisão do mundo. As questões de fundo são a política económica, a concorrência, as taxas de crescimento, os contratos, as patentes, a criação de riqueza, as vantagens comerciais e o dinheiro.

Na verdade, a política económica continua a considerar a política ambiental um entrave ao seu desenvolvimento, porque em lugar nenhum do mundo foi possível, até hoje, separar o crescimento económico do consumo de energia. A redução das emissões de CO2 significa, portanto, o abdicar de uma vantagem concorrencial. Metade da política ambiental americana atinge a China. A questão central que Copenhaga terá então de responder é se serão possíveis modificações hegemónicas no mundo sem a utilização de violência. Nas últimas décadas a violência estrutural do Banco Mundial, do FMI e da OMC serviu para a manter o poder dos países industrializados. Contudo, há muito que os chamados países emergentes estão preparados para assumir um  outro papel: China, Brasil, Indonésia, México, Índia, África do Sul ou Coreia do Sul já obrigaram a abrir as portas do clube da elite económica. O G8 já se chama G13. Agora em Copenhaga procuram que os grandes esbanjadores de energia EUA, Alemanha, França, Inglaterra ou Canadá comecem a moderar-se.

A outra questão central da Humanidade no século XXI, para além da questão social, é a política económica ser entendida como o contrário da política ambiental. Será possível, no sistema capitalista, que a defesa do meio ambiente deixe de ser um entrave ao crescimento económico e se transforme no seu garante?

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One Response to Alterações Climáticas ou nova partilha do poder mundial?

  1. Manolo Heredia diz:

    Toda a gente acredita que não existe um plafond que limite o crescimento do PIB. Isso é verdade só porque o PIB é uma função linear do consumo de energia. (PIB=a+b.Enrg).
    Tudo o que consumimos é energia (tem incorporação de mais de 90% de energia fóssil). Desde a cadeira em que nos sentamos à viagem que fazemos.
    É naturalíssimo que os países em vias de desenvolvimento não vão na conversa da limitação de emissão de gases com efeito de estufa (do CO2 ao Metano), gases esses cujas emissões são proporcionais ao consumo de energia. Proporcionais ao próprio PIB.

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