Sócrates, o post-democrata português

Com Sócrates, o post-democrata em estado puro, o PS degenerou num partido clássico post-democrata. O processo de formação de Governo, a rábula dos convites a todos os Partidos, as acusações de Sócrates às oposições demonstram a amplitude da mesquinhez e da incapacidade estratégica da direcção do PS nos últimos anos. Sócrates pensa, autoritário, que “os grandes homens fazem a História”. Este é simultaneamente o seu credo e o seu trauma. Os sociólogos falam de post-democracia quando se reforça a tendência de a política ser feita nos gabinetes por meia dúzia de iluminados e de “comissões de especialistas” e mediada através das TVs, decidida portanto à margem dos grémios legítimos dos Partidos e do Parlamento. Quantas vezes reuniram os órgãos dirigentes do PS na última legislatura?

Sócrates com a sua cultura chantagista do “quero, posso e mando” e a transformação do debate político interno numa ratificação obediente dos seus postulados contribuiu fortemente para a degradação da vida interna socialista.

O PS terá, provavelmente mais depressa do que pensa, de se decidir por uma ruptura com os “anos Sócrates” e seus actores. Só terá uma hipótese de regeneração se der uma nova vida à democracia interna e, nesta base ultrapassar o desvio neoliberal dos últimos anos.

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