Muckraking

Pressefreiheit

Neste grave caso das “escutas” em Belém, a Presidência da República, o Governo e a Imprensa demonstram a fragilidade da Democracia. O papel de Cavaco é dúbio, Sócrates tenta passar por entre os pingos da chuva e o DN é o exemplo acabado do “embedded journalism” caseiro. Quanto ao Público, apesar da total falta de credibilidade do seu Director e das transparentes declarações do seu patrão Belmiro de Azevedo, ainda há quem vá tentando fazer algum jornalismo crítico em relação ao Poder.

Os últimos anos não têm sido favoráveis à liberdade de imprensa, nem em Portugal, nem no mundo. Recordemos só o total fracasso da imprensa americana durante os anos da Administração Bush, salvo honrosas excepções como esse Grande Senhor da imprensa americana que dá pelo nome de Seymour Hersh.

Existe, em todas as democracias, a ideia de uma divisão de poderes entre cidadãos, detentores do poder e controladores desse poder. Pelo menos em teoria, de um lado estão os representantes do poder económico e os políticos, do outro jornalistas completamente independentes que procuram tornar transparentes os processos económicos e políticos e escrutinar e controlar os poderosos. Neste sentido também devem ser advogados dos cidadãos. Não juízes, mas sim testemunhas do seu tempo ao serviço dos que compram jornais e ligam as rádios e as televisões. A democracia baseia-se em processos públicos de formação de opções e de tomadas de decisão. A questão central é saber como é que os órgãos de comunicação social assumem realmente o seu papel de mediador entre o poder económico, poder político e o público e o seu papel de crítica e controlo. A resposta a esta questão nos últimos anos é: não de forma tão autónoma e competente como o exige o ideal da comunicação política nas nossas sociedades ocidentais.

Karl Deutsch dizia que o Poder é também a faculdade de “não ter de aprender”. Graças a raros jornalistas inclino-me a acrescentar que o Poder também tem de aprender que não se pode permitir tudo, que a sua actuação também está sujeita a critérios: os critérios da democracia. Um bom jornalista sabe que tem a tarefa de iluminar o lado obscuro do Poder e dar aos poderosos a sensação de que o abuso não passa impune. E desempenha essa tarefa sabendo que os poderosos se preparam para uma longa guerra de desmoralização e desgaste e no final até deve poder contar com o cinismo do público.

O bom jornalista sabe o que formulou assim Frederick Douglass: “Power concedes nothing without demand.”

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: