A Ordem Normativa da Mercê, por Ton Veerkamp

Grosz

“Conceitos e Diagnóstico

Para, enfim, hoje ainda podermos ver uma direcção, voltamos ainda mais profundamente à História. A nossa ideia de Liberdade e de Direito têm a sua principal raiz na Tora do Judaísmo. A libertação da casa dos escravos, do trabalho escravo, que “amarga a vida” (Ex. 1,14) é o núcleo da ordem social que os antigos habitantes da Judeia criaram no século V antes da nossa era. Liberdade, pensaram, só pode ser protegida pelo Direito, que impede a concentração do poder nas mãos de poucos elementos da sociedade contra todos os outros. Principalmente a concentração de poder económico – nas sociedades agrárias, como na antiga Judeia em forma de acumulação de terras – deve ser impedida, para que a maioria das pessoas não se torne escrava da elite detentora.

A Tora não queria Aladinos, que comandassem à sua vontade exércitos de pessoas serviçais. Isto é o que tem em comum com o moderno movimento dos trabalhadores. Hoje, concluímos nós, as pessoas não vivem numa Ordem Normativa do Direito, mas sim numa Ordem Normativa da Mercê, numa ordem em que a maioria das pessoas, na produção das suas vidas, depende da decisão de alguns poucos. Uma Ordem que se baseia em que alguns podem deixar os outros trabalhar, mas não têm de os deixar, é uma Ordem Normativa da Mercê, não uma Ordem Normativa do Direito. Na nossa sociedade ninguém tem direito ao trabalho; se se portar modestamente pode ter a esperança de lhe ser concedido um lugar de trabalho. Quando as pessoas começaram a combater a arbitrariedade da Mercê com a Ordem do Direito inventaram a Civilização. O movimento anti-poder dos trabalhadores defende a civilização do Direito. Hoje temos a arbitrariedade da Mercê.

Podemos e temos de completar a ideia de “arbitrariedade da mercê” com o conceito de “lógica da propriedade privada”, a lógica dessa propriedade, que assegura aos proprietários o comando sobre o processo social do trabalho. Para a sua demonstração não há melhor imagem do que Aladino e a sua lâmpada mágica. Este livro quer contribuir para compreender e assim diagnosticar a nossa situação.”

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2 respostas a A Ordem Normativa da Mercê, por Ton Veerkamp

  1. soares diz:

    queiro mais info0rmaçao

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