Ninguém honesto intelectualmente pode querer fazer a história da resistência à ditadura fascista sem o PCP. E também não pode querer relativizar nem o regime, nem a luta dos militantes do PCP. No âmbito do aniversário que ontem se comemorou muitos preocuparam-se em recordar os erros do PCP como, por exemplo, a omissão do nome de Francisco Martins Rodrigues em alguns documentos posteriores, erro que foi e continua a ser hoje muito criticado por dirigentes históricos, ou a tentativa, argumentam, do PCP em querer monopolizar os créditos da oposição. Pôr a tónica nestas questões é querer passar ao lado da questão principal: a fuga de Peniche deve ser das evasões mais espectaculares da história da resistência mundial e provocou um forte abalo no regime. Contudo a indigência dos meios de comunicação social, com especial relevo para esse “jornal de referência” que dá pelo nome de Público (o acontecimento mereceu, no dia 2, a transcrição de um take da LUSA… e a revista Pública de domingo dedicou-se aos néons dos casinos de Las Vegas e à mini-saia contra a crise…) passa ao lado deste aniversário com o atrevimento da ignorância. 50 anos passados, três protagonistas ainda vivos e assistimos à quase indiferença ou opção pelo fait-divers.
A fuga de Peniche abanou os alicerces do regime salazarista e já não seria nada mau se a(s) esquerda(s) concordasse(m) em que chamar “Estado Novo” à ditadura é aceitar, sem qualquer réstia de espírito crítico, a designação que o próprio Salazar atribuiu ao seu regime. É, na realidade, contribuir para a banalização de uma ditadura que perseguiu, prendeu, torturou e matou sempre que necessário. É tão errado historicamente como designar os 12 anos do nazismo como o “III Reino” (III Reich). A entrevista de Eugénia Cunhal ao DN recorda aos mais distraídos o que significava, viver, no “Estado Novo”, para todos os que se lhe opunham.








Pena é que não tenhas uma fotografia a apanhar a sala toda! é que tiveram de ficar pessoas cá fora por não haver mais espaço!
Mas as fotos e o texto estão excelentes!
muito bem. ainda há alguém que mexe para que não haja esquecimento.
o desenho está muito bem.
parabéns.
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